quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O Crocodilo Belhac



Era uma vez o Crocodilo Belhac que era pitosga, não via nada sem os seus óculos. Um dia, estava ele a passear à beira do rio à procura do seu almoço, quando viu o Capitão Gancho a arranjar a sua jangada.

- Uhm!!! Que aspecto tão saboroso que tem o Capitão Gancho!
disse o crocodilo a crescer-lhe água na boca.

E foi a correr tão depressa, tão depressa em direcção ao Capitão Gancho que pelo caminho perdeu os óculos e…

- Nhaaac!! Nhaaac!!
pregou duas enormes dentadas…. na jangada.

- Beeeee….lhac!!! Beeee…..lhac!!! Que sabor tão mau tem esta madeira!! Sabe a veneno!!!
disse o crocodilo.

E ficou a boiar na água do rio enquanto abria e fechava a boca.

- Beeeee….lhac!!! Beeee…..lhac!!!

Ia a passar um tubarão que, assim que viu o Crocodilo Belhac, abriu a boca e engoliu-o de uma só vez. Quando Belhac chegou ao estômago do tubarão estava muito escuro e cheirava a cocó… Por isso, porque cheirava tão mal, o crocodilo abriu a boca e fez assim:

- Beeeee….lhac!!! Beeee…..lhac!!!
- Beeeee….lhac!!! Beeee…..lhac!!!

E o tubarão vomitou-o de volta ao rio.

Então o Capitão Gancho que estava na margem e que tinha acabado de encontrar os óculos foi, com muito jeitinho, colocá-los na cara do Crocodilo Belhac.

E ficaram amigos para sempre.

História do Pão


A avozinha Mariazinha
gosta muito
de fazer pão
para o avô João

E um dia
quando o avô João
se preparava para comer o pão
veio o cão Pimpim
ladra e ladra sem ter fim
e levou o pão
do avô João

Noutro dia
quando o cão Pimpim
ladra e ladra sem ter fim
se preparava para comer o pão
veio o gato siamês
e antes de dizer 1,2,3
levou o pão outra vez
A avozinha Mariazinha
a avô João
e o cão Pimpim
foram falar com o gato:
se nos deres o pão
a avó Mariazinha
faz um bolo para os quatro.

Mas o gato disse:
- Eu não tenho o pão!
- Não tens o pão?
- Não, não tenho o pão!
-Hum…

Foi então que o rato André
apareceu a rebolar
Tinha comido o pão todo!
E agora não conseguia andar!

A avó Mariazinha
ficou a pensar, a pensar….
e depois disse:
a partir de hoje quando fizer pão
não vai ser só para o avô João!
Faço um bolo de amendoim
para o cão Pimpim,
faço um pão por mês
para o gato siamês
e para ti, rato André,
faço um prato de puré.

Totenruga - Dólmen



totem
ruga
dólmen

tarta
ruga
dólmen

tarta
dólmen
totem

ruga
dólmen
tarta

totem
tarta
dólmen

totem
tartaruga
dolmen

Espanto de Adelai





Adelai de Lailai
quando em espanto,
tanto cai
pr’a um lado
como p’ra outro.
Adelai cai e pronto.

Caiu ao ver Mimi nascer:
- As minhocas saem de ovos?!...
Nunca tal vi acontecer!!

À queda de Adelai
sem alinhavos
Mimi responde:

- Ovo é novo, ovo é povo,
ovo é conto e universo.
Ovo é rã, lagarto, andorinha,
formiga, medusa, dourada.
Ovo é papoila. É Joaninha.
Ovo é Homem…

E Adelai
cai de novo
horrorizada.

- Todos saímos de ovos?
Tens ideias alucinantes!
Onde andará o meu ovo?
Será cravejado de diamantes?

- Talvez seja antes de cristal.
diz Mimi com ironia.
- Ovo de cristal tão fino
que nunca viu a luz do dia.

Ficaram as duas a discutir,
minhoca e menina, eram iguais.
Pão do mesmo forno - estrela,
genes da mesma primordial paz.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Êxodo para Marte





Quando na Terra se soube
que não existia melhor lugar que Marte
para assistir à expansão do universo,
não houve naves que chegassem.

Foi o êxodo total!

Duas Senhoras num Canto sem Canto



duas velhas senhoras
acordam dentro do espanto
espanto desalinhado pranto
de um campo sem flores

espanto escancarado pranto
arde nos olhos, vago de cores
senhoras, num canto sem canto,
vazio de linho, vazio de amores

num canto, as senhoras,
sem forno, o pão frio,
abrem a janela, deitam-se ao caminho,
rosal esgotado, mil vezes daninho

o caminho realça a janela
esmerada, de sete agulhas tecida,
janela de lã, desbotada,
espiral contínua da vida

Ondas de Cabelos Verdes



os teus olhos
são ondas
de cabelos verdes

os teus olhos
são ondas
de cabelos verdes
luares luzidios
frescas tempestades
de regatos verde – pérola

clareiras mel e laranja
os teus olhos
são o infinito tempo